Discurso sobre o Método



 René Descartes no seu Discurso sobre o Método (São Paulo: Hemus, 1978) se diz dedutivo (p.41), mas analisando criticamente, ele é “indutivo”, sendo somente a matemática a razão de ser da ciência. 


Seu 1º princípio da filosofia: “cogito ergo sun” (penso, logo sou) p.66. Mas duas páginas depois ele se contradiz: “E notando eu que, em ‘penso, logo existo’, não há nada que me garanta que eu esteja dizendo a verdade, do mesmo passo que vejo com clareza que, para pensar, é preciso existir” (p.68). 


Ou seja, Descartes representa a arrogância materialista de auto-criação : eu penso e logo sou ou existo. Só quem pode falar assim é Deus. Mas também essa mesma arrogância cai na real e se retrata: “para pensar é preciso que eu tenha sido criado.”

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