O DINHEIRO

O DINHEIRO 


A proposta de Steiner (Economia Viva) é chegar ao “capital livre”, para que se realizem duas das metas do uso do dinheiro: “empréstimo” para o indivíduo moralmente produtivo e “doação” para educação, cultura, saúde e filantropia. E quem deve controlar isso é o Conselho Cultural e isso se realiza através de um “banco social” de cada país, pois só ele será isento para decidir o uso do “capital livre” das mãos dos indivíduos. Para isso é preciso entender o significado do “dinheiro”: é um “instrumento da vida espiritual no mundo”; ou seja: “dinheiro é espírito materializado”. 


Cabe agora uma importante pergunta: o que significa ter capital livre, do qual tenha desaparecido o trabalho? É um capital acumulativo ou “capital devedor”, que pode se tornar um “capital de empréstimo”, para se tornar, por meio do espírito criador humano, “capital produtivo”. A isso Steiner denomina circulação de capital e é o mesmo processo que ocorre no “sangue humano”. Este, ao percorrer os pequenos vasos sangüíneos (capilares), “caminha sozinho”. Mas quando o sangue cai na gravidade (nos grandes vasos), começa a parar. É preciso que uma “força propulsora” imprima novamente maior “velocidade” e isso é realizado pelo coração. Esta é a função do Banco. Além disso, antes de devolver o sangue ao corpo, o que o coração faz? Encaminha o sangue ao pulmão, para ser “oxigenado”, isto é, para o sangue ficar novo. O mesmo se observa no caso de certa quantidade de dinheiro ficar guardada em casa: ele envelhece (por ter ficado fora do circuito econômico). Precisa ser “revitalizado” pelo Banco, para se transformar em “dinheiro novo” e ser colocado novamente na “circulação”. Assim o seu “poder de compra” aumenta. E é isso praticamente o que o banco faz. E os seus recursos (capital) poderão vir da vida produtiva, desde que os industriais considerem essa medida mais humana e ecológica, numa nova ordem social. Quando um interessado em começar um empreendimento e precisar de recursos financeiros, o Conselho Cultural (administrador do dinheiro) analisará se tal empréstimo tem cabimento, o prazo de retorno do dinheiro etc. E em caso de retornar o capital, este poderia ser reinvestido na empresa. Em caso de má gestão, poderia inclusive se pensar em trocar o administrador ou a diretoria; ou em caso do falecimento do titular, um herdeiro capacitado poderia levar em frente o empreendimento; ou, em caso negativo, deveria se procurar outro administrador. Desde que o empreendimento seja um bem necessário à sociedade, deveria se buscar meios para que a empresa continue. Nunca os bens alienados devem ser incorporados à vida estatal, pois esta não é a sua função.


Nada impede de que os bancos particulares continuem as suas atividades, pois se deve deixar a liberdade de escolha ao cidadão. No entanto, caso se concretize esta meta aqui proposta, é preciso que seres humanos de elevadas e ilibadas estirpes, culturais e morais possam dirigir este importante membro social. Eles devem carregar consigo a finalidade humana, o sentido da missão do ser humano, para serem também os promotores da cultura, da ciência e da elevação humana. O Departamento de Banco Social deverá visar a “circulação do dinheiro”, no sentido de fomentar o capital de empréstimo e de doação, para aqueles que necessitam de meios para trabalhar economicamente no mundo e para a cultura, respectivamente. 


Portanto tanto a vida jurídica como a econômica precisam do “alimento” que vem da esfera do Conselho Cultural, como foi amplamente comentado. No primeiro caso, precisa-se elaborar “leis” mais condizentes com a condição humana, que se fundamentem na vida do “direito”. No segundo caso, necessita-se da participação de pessoas com “juízo econômico”, que entendam da prática econômica, que possam fundar associações, para dar um rumo certo à “realização” do homem no mundo. Com relação à “circulação do dinheiro”, que é uma função bancária, deveria ser integrada ao Conselho Cultural. Assim o dinheiro poderá assumir a sua verdadeira e específica função no mundo.


Antonio Marques

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